Algumas Considerações

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sábado, 7 de março de 2009

The Rocky Horror Picture Show

The Rocky Horror Picture Show
The Rocky Horror Picture Show é uma comédia musical composta por Richard O' Brien e Jim Sharman, lançada em 1975 nos cinemas.
Trata-se de um dos melhores musicais da historia do cinema, e o único que leva a honra de ter o seu próprio culto.

As origens no teatro - "Rocky Horror Show"
Rocky Horror Show é originalmente uma peça que costumava ser apresentada no The Royal Court Theatre em Londres, e tinha um certo sucesso pela irreverência e bom humor, inclusive, pessoas famosas na época assistiam o espetáculo.
Quando a peça foi apresentada pela primeira vez em Los Angeles, pessoas como Carole King, Elvis Presley, e Keith Moon foram vistas prestigiando o espetaculo.


O filme
A ideia da transição do teatro para as telas do cinema nasceu dos próprios mentores da peça, Jim Sharman (o diretor do filme) e Richard O'Brien (que faz no filme, o papel do personagem Riff Raff).
Para isso várias idéias novas foram postas em discussão, entre elas, qual seria o tipo de filme a ser feito.
Como a linguagem de teatro é diferente da linguagem de cinema, eles escolheram dar para o filme uma roupagem "Trash" usando todos os clichês que eles conheciam de filmes B da década de 50, de terror e ficção científica, assim, o ar extravagante e exagerado da peça se manteria.
Nem todas ideias foram postas em prática de fato, uma delas foi a de fazer o filme sem cor até a chegada de Dr. N. Furter (Tim Curry), onde se faria um close em sua face, e o filme passaria a ter cor nesse exato momento.
Este seria na minha opnião um recurso interessante a ser usado, tornaria o filme mais simbólico, e fazendo uma bela referência ao clássico de 1939, The Wizard of Oz, do diretor Victor Fleming.

A produção cenográfica foi bem estravagante, o cenário escolhido foi castelo Oakley Court, agora um luxuoso hotel.
Nele podemos perceber diversas obras de arte famosas espalhadas por toda a parte.

A atuação de todos dos atores é sublime, com menção honrosa a Tim Cury, o que para muitos, foi sua melhor performace em toda sua carreira.
Outra menção honrosa vai para Patricia Quinn, que faz o papel da serviçal Magenta, ao mesmo tempo assustadora, engraçada e sexy.

Quem apostou no potencial da história foi Lou Adler, produtor responsável pelo filme Monterey Pop, que retratou o famoso festival de música. Ele acertou ao vender o projeto do filme para a Fox mantendo praticamente a mesma equipe, que incluía o inigualável Tim Curry, e o diretor australiano Jim Sharman, que havia trabalhado em montagens teatrais de Hair e Jesus Cristo Superstar.

O filme conta sobre um simpático casal, Brad Majors (Barry Bostwick) e Janet Weiss (Susan Sarandon), que acabam de se tornar noivos e vão de encontro a um antigo amigo, o professor Dr. Everett Scott (Jonahtan Adans).
No meio do caminho, ocorre um problema com o carro, e ambos se vêem obrigados a pedir ajuda aos moradores de um castelo local.
Este castelo seria na verdade uma faxada para uma nave alienigina (do planeta Transexual, da galáxia Transilvania) que pousara na terra.
Seu anfitrião é um cientista louco, travesti e bissexual que pretende criar um homem em seu esquisito laboratório para satisfazer seus desejos sexuais.


Quando o filme estreiou, de cara, ja agradou a todos e se tornou um sucesso mundial na época.

MENTIRA !!

O filme foi um fracasso logo na estreia, não rendeu praticamente nada. Muitas pessoas (conservadoras) saiam no meio da sessão muito ofendidas.
O filme foi feito literalmente para "soltar a franga" e leva consigo toda aquela questão do "transexual" e ainda uma forte carga erótica, de entrega absoluta ao prazer carnal.
O motivo de indignação de muitos, teve uma repercusão opostas a pequenos grupos de pessoas que gostaram muito do que foi apresentado.
Elas não apenas gostaram do filme, mas se tornaram verdadeiros fans, e são essas pessoas que fizeram de "The Rocky Horror Picture Show" ser o filme que em todos os sentidos define o conceito de CULT no cinema.
Este filme é um dos mais intrigantes fenômenos da cultura pop de todos os tempos.

As sessões interativas
Foi graças à decisão de uma gerente do Waverly Cinemas, no Greenwich Village, em Nova York, de promover sessões da meia-noite, em 1976, que The Rocky Horror Picture Show começou a ter um público cativo, que acompanhava as falas em clima de festa.

Esse filme começou a ser exibido em horarios alternativos em diversos lugares da Europa e nos Estados Unidos, e eram vistos por uma plateia fiel e entusiasta que se vestiam como os personagens e criavam uma série de "atos interativos".

Próximo à época do Halloween , um grande número de pessoas vestidas à caráter se reunia para as sessões do filme, dando início às intervenções "oficiais". Quando Janet reclama da chuva, por exemplo, o público diz: "Compre um guarda-chuva, sua vaca pão-dura!" e abre guarda-chuvas no cinema. Há também "sacadas", como a hora em que o público pergunta: "Janet, você quer transar?" e Sarandon olha para a câmera. "Pense no assunto", diz o público, e ela sorri "para o público".

Aqui vão mais algumas:

Arroz: Na primeira cena do filme, dois amigos de Janet e Brad se casam. Assim que os noivos deixam a igreja, pegue um punhado de arroz e jogue pela platéia.

Jornais: Quando Brad e Janet estão fugindo da chuva, a mocinha utiliza um jornal para cobrir a cabeça. Pegue uma folha de jornal e faça o mesmo.

Pistolas de água: No mesmo momento, alguns membros da platéia “simularão” a tempestade com instrumentos do gênero - por essa razão, é bom levar o jornal.

Luzes: Durante a canção cujo verso é “There’s a light / Over at the Frankenstein Place”, acenda uma luz. Serve uma vela, um isqueiro, uma lanterna…

Dança transilvânica: Durante a canção mais animada do filme - Time Wrap, siga os passos indicados pelo filme e dance também. Sem constrangimentos.

Luvas de borracha: Durante o discurso da criação, o Doutor Frank N. Furter “estala” suas luvas cor-de-rosa três vezes. Estale também, mantendo um sincronismo capaz de realizar um excelente efeito sonoro.

Barulhos: Ao final do discurso, os espectadores transilvânicos comemoram entusiasmados, usando línguas de sogra, matracas, entre outros apetrechos barulhentos. Pegue o seu e siga o coro da maioria.

Confete: Quando Doutor Frank termina de cantar “Charles Atlas Song”, os transilvânicos jogam confete em Rocky, o loirão criado por Frank. Obviamente, faça o mesmo.

Papel higiênico: Quando Dr. Scott aparece no filme, aparece o rosto de Brad em close e, após um rápido silêncio, ele diz: “Great Scott”. Scott é uma marca popular de papel higiênico nos EUA. Por essa razão, rolos voam pela sala nesse momento.

Torradas: Durante o jantar, Frank propõe um brinde aos convidados - “a toast”. Aqui, os espectadores arremessam torradas ao vento.

Chapéu de festa: Após o brinde, Frank coloca um chapeuzinho de aniversário. Faça o mesmo.

Sino: Durante a música seguinte, Frank canta “Did you hear a bell ring?”. Nesse momento, chacoalhe o seu sininho. Um molho de chaves também serve.

Baralho: Em uma das canções finais, Frank canta “Cards for sorrow, cards for pain”. Hora de jogar cartas de baralho para cima. Nessa altura, a sala de cinema já está uma verdadeira IMUNDÍCIA.

Em São Paulo, o filme ja fora apresentado como sessão interativa no Vivo Open Air.

Músicas
Science Fiction/Double Feature
Esta é considerada por muitos a melhor música do filme, e para pessoas como Patricia Quinn "a música mais maravilhosa de todos os tempos".
Exageros a parte, esta de fato é uma música excelente. Cadenciada, com saxofones bem encorpados e uma bela linha melódica.


No filme, a música é cantada por uma "boca". Isso mesmo, só uma boca e nada mais.
Essa boca é de ninguem menos da maior fã dessa música, justamente Patricia Quinn, nossa eterna Magenta, porém, a voz que canta é de Richard O' Brien, nosso inigualável Riff Raff.
Particulamente achei a letra bem interessante, ela é engraçada, dá alguns Spoilers sobre o próprio filme, de certa forma apresenta alguns personagens, e faz referências a diversos filmes B antigos.
As referências seguem abaixo.

Michael Rennie was ill the day the earth stood still, but he told us where we stand

The Day the Earth Stood Still (O dia em que a terra parou) é um filme de ficção científica, lançado em 1951, que narra a visita de um ser alienígina na terra para trazer paz entre os povos do planeta, ganhando em 1952 o Globo de Ouro honorífico ao melhor filme a promover o entendimento internacional.
Michael Rennie é o ator principal deste filme.

And Flash Gordon was there in silver underwear
Flash Gordon é o super-heroi espacial criado em 1934 por Alex Raymond.
Suas historias se tornaram bem populares atingindo vários seguimentos como quadrinhos, séries de TV, e até mesmo filmes.

Claude Rains was the invisible man
Invisible Man é um filme de horror lançado em 1933.
Claude Rains é o ator que faz o papel de Griffin, o homem invisível do filme.

Then something went wrong for Fay Wray and King Kong, they got caught in a celluloid jam
King Kong um o popular filme de aventura lançado em 1933, considerado como um dos maiores clássicos do cinema, e selcionado para preservação nos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso, e comentado pela revista Empire como o "melhor filme de monstros de todos os tempos".
Fay Wray é a moça que faz o papel de Ann Darrow no filme original.

Then at a deadly pace it came from outer space
Conhecido aqui no Brasil como "Veio do espaço" este é um filme americano de ficção científica lançado em 1953, baseado numa historia de Ray Bradbury, com adaptação de Harry Essex.

Doctor X will build a creature
Dr.X é um filme de horror de 1932, conhecido por abordar temas como assassinato, estrupo, canibalismo e prostituição. Fay Wray participa desse filme.

Anne Francis stars in Forbidden Planet
Conhecido aqui no Brasil como "Planeta Proibido", este é um filme estadunidense de ficção científica lançado em 1956.
Ele serviu de inspiração para Star Trek, conforme contou Gene Roddenberry em sua autobiografia.

I knew Leo G. Carroll was over a barrel when Tarantula took to the hills
Tarantula é um filme de horror e ficção científica lançado em 1955, que conta sobre um acidente de uma experiência biológica que faz uma aranha ficar gigante.
Leo G. Carroll é um dos atores que participam do filme.

And I really got hot when I saw Janette Scott fight a Triffid that spits poison and kills
Essa parte faz referência a um filme de ficção científica sobre plantas carnívoras chamado The Day of the Triffid, de 1962.
Jannet Scott é uma das atrizes que participam do filme.

Dana Andrews said prunes gave him the runes, and passing them used lots of skills
Essa parte faz referência ao filme "Night of Demon", de 1957, um dos mais cultuados filmes de terror.

But when worlds collide, said George Pál to his bride, I'm gonna give you some terrible thrills
When Worlds Collide é um filme de ficção científica de 1951, baseado em um livro de ficção científica de Phillip Gordon Wyile e Edwin Balmer lançado em 1932.

Fuçando na internet, eu encontrei uma versão alternativa da abertura desse filme, a ideia abandonada dessa abertura, e queria compartilhar com vocês, achei muito interessante.



Ele mostra várias cenas de filmes antigos que inspiraram a letra dessa música, vale a pena conferir.

Dammit, Janet
A música que conduz Brad Majors a declarar seu amor por Jannet Weiss.
É uma das melhores canções do musical na minha opnião, possui um dueto e arranjos orquestrados lindos.

A música constroi na rima "Dammit, Janet" uma gag lexical, baseada na paronimia, o uso de palavras estrutura fonológica e grafia semelhantes, com significados distintos.

Over at the Frankenstein Place
Cantada por Brad, Janet e Riff Raff, esta é a música cantada no quintal do castelo de Dr. N. Furter, sob a chuva.
A voz aveludada de Susan Sarandon é o ponto forte da música.

The Time Warp
Não é possivel falar de Rocky Horror Picture Show sem falar de Time Warp. Essa talvez seja a principal musica do filme.
Trata-se de uma música dançante, com bases de pianos, guitarras, bateria, contra-baixos, e instrumentos de sopro. A letra da música ensina os passos da dança.


Em sessões interativas do filme, esta é a música de maior participação da plateia.
Ela simboliza uma espécie de ritual de confraternização entre os "transilvanos" que, no conceito do filme, são alieniginas de uma galáxia distante.

É também a cena do filme que a personagem Columbia é apresentada, com um figurino típico de musicais da Broadway, ela entra em cena cantando e sapateando.


Sweet Transvestite
Esta música marca a aparição do Dr. N. Furter, representado fantásticamente por Tim Curry.
Columbia, Magenta, e Riff Raff acompanham a música como backing vocals.
Ela é marcada por um uso marcante de Saxofone, lembrando bem um Soft Jazz ou algo parecido.
No meio da música, há interncalado uma fala de Brad Majors, que uma liga uma parte da musica a outra.


The Sword of Damocles
Damocles é uma figura participante de uma anedota (piada) moral da cultura grega classica, que figura na historia perdida de Sicilia de Timaeus de Tauromenium (historiador grego que nasceu por volta de 352 A.C.).
Damocles é um personagem, que dialogando com o Deus Dionísio (Deus das Festividades), disse este ser um verdadeiro afortunado.
Dionisimo então ofereceu-se para trocar de lugar com ele por um dia, para que ele, assim, também pudesse sentir o gosto de toda essa sorte.
A noite, um banquete foi realizado, e Damocles foi servido como um rei, mas ao final da refeição, olhou para cima e percebeu que havia uma espada afiada apontada diretamente para sua cabeça e suspensa por um único fio.
Ele foi então se levantando, pronto para sair correndo, mas temia ao mesmo tempo que um movimento brusco pudesse arrebentar aquele fio.
A espada de Democles é uma alusão frequentemente usada para remeter a este conto, representando a insegurança daqueles com grande poder, ou, mais genericamente, qualquer sentimento de danação eminente.


No filme, esta é a música que apresenta o Rocky, personagem que dá nome a peça toda.
A sua primeira aparição é marcada por um medo terrivel de perigo eminente, e por isso, ele é relacionado a Damocles.
Ele se torna afortunado por ter ganhado a vida, mas ao mesmo tempo, se sente ameaçado, como se a espada de Democles tivesse sido colocada suspensa sobre sua cabeça, e a qualquer momento alguem viria para "cortar o fio".

I Can Make You a Man (tambem conhecida como The Charles Atlas Song)
Canção mais homoerótica do musical.
A canção revela como Frank Furter planeja "aperfeiçoar" sua criatura.

Hot Patootie (tambem conhecida como Whatever Happened to Saturday Night ?)
É a música que apresenta o personagem Eddie (representado por Meatloaf).
Ele sai de uma câmara criogênica, derrubando uma parede, e entrando com tudo de moto, no meio da celebração de Frank.


Com postura rebelde, típica dos Rockers da decada de 50, ele apresenta uma das melhores musicas do musical, presente no disco Live Around the World do proprio Meatloaf, e também em uma excelente versão presente na versão japonesa do disco Another World da carreira solo do guitarrista do Queen, Brian May.
Musica essa que pode ser conferida abaixo.



Como podem ver, trata-se de uma música de versos rápidos, ritmo cadenciado.

Quando Richard O' Brien trouxe a música Hot Pattotie para Meatloaf cantar, ele imaginava que ele não iria conseguir encaixar todas as palavras na melodia, mas com sua surpreendente capacidade de dicção, viu que estava errado.
A música original na minha opnião é melhor, com excelente uso do Sax.

Touch-a, Touch-a, Touch Me
Musica com o maior teor explicito de sexualidade.
É a música que Janet se entrega ao prazer da carne, seduzindo criatura de Frank. Outra demonstração de que Susan leva jeito para música, voz belíssima.


Eddie
Depois de todos pegarem Jannet no flagra com Rocky, todos na casa, inclusive um novo visitante (Dr. Everett Scott) são convidados para um jantar, onde o clima de descontentamento paira sobre o silêncio na mesa.

Everett Scott teria vindo em busca de seu sobrinho, Eddie, e propõe o assunto. Mesmo contra a vontade de Dr. Furter, ele começa uma música dançante que conta sobre a controversa personalidade de Eddie, totalmente genial.

You Better Wise Up (ou Planet Schmanet Janet)
Depois de ter mostrado o corpo de Eddie por debaixo dos panos da mesa, assustando todos, Frank observa Jannet correndo assustada para os braços de Rocky, que a recebe com um sorriso aberto.
Nesse momento Frank explode de raiva e começa a demonstrar (musicalmente) todo seu desdem por Jannet Weiss, contando o quanto ele não a acha atraente e provocando.
No final todos são petrificados por uma estranha maquina chamada "Medusa".

Rose Tint My World
Essa é a música em que todos de fato soltam a franga, todos os 4 que foram petrificados são despedrificado (des-medusa) um por um.

A canção é cantada por Columbia, Rocky, Brad e Janet, onde cada um esta maquiado e transvestido com uma meia arrastão e sapatos de salto alto.

Rose Tint My World é um titulo baseado em uma expressão idiomática americana, Rose Colored Glasses, que tem seu significado proximo ao "seja otimista e não se preocupe com os problemas".

Columbia é a primeira a ser despetrificada, e logo de inicio, canta sua insatisfação em ver Frank criando uma criatura para satisfazer sua luxuria por completo.
Obs: Pouco antes dessa cena, ela revela sua historia no filme. Ela teria sido uma das amantes de Frank no passado, tal como Eddie.
Embora a insatisfação inicial é expressa, ela revela seu "amor por uma certa droga" que é suficientemente capaz de "pintar seu mundo de rosa, e livrá-la dos problemas e da dor".

Rocky, é despedrificado, ja contando que sua luxuria não pode ser controlada, e que toda esta energia sexual "pinta seu mundo de rosa, e livra-o de todos os males".

Uma das cenas mais engraçadas vem agora, a despetrificação de Brad Majors.
Da pra ver claramente o quanto ele era um "enrustido".
Seus desejos secretos são mais fortes que suas convicções morais. "Esta além de mim, me ajude mamãe, serei bom, você verá, afaste esse sonho de mim".
Obs: Tal como disse Richard O' Brian em uma entrevista, quanto mais reprimido é um desejo, mais ele se torna irresistivel, a ponto de explodir, e é exatamente isso que Brad faz na cena.

Em seguida vem Janet Weiss, contando sobre a perda da inocência. Ela já não era aquela figura patética e romântica do começo do filme, a sua máscara também caiu, e vemos ela como uma verdadeira ninfomaniaca, confiante e segura de si.

Don't Dream It, Be It
Essa é talvez a música chave para entender a temática do filme. "Não sonhe, Seja".
O filme o tempo todo joga essa ideia de liberação de desejos reprimidos, e aqui, essa ideia atinge seu explicito máximo, e é dona de uma das cenas que mais chocaram os conservadores.
A de todos mergulhando de meia-arrastão em uma pscina com o fundo de uma pintura sacara de Michelangelo (A criação de Adão), e todos começam a se acariciar e se beijar.


Nessa última música, é despetrificado o ultimo que faltava, Dr. Evertt Scott. E, seguindo uma linha de pensamento conservadora, ele critica toda aquela expressão de luxuria acontecendo na piscina, o qual ele se refere como "decadência". Mas no final das contas ele acaba se revelando quando se vê de meia arrastão por debaixo de seu cobertor.

Interessante é que no final da cena, Janet pronuncia a frase, "Deus abençoe Lili St. Cyr". Lili St. Cyr é uma modelo pin-up norte americana e stripper famosa na decada de 40 e 50.
Lili representa toda a afloração eminente da sexualidade de uma mulher, afloração essa que Janet acabou de experimentar.

Wild and Untamed Things
Essa música representa toda empolgação que envolveu a todos depois da liberação de seus desejos mais secretos.
Eles se tornaram "coisas selvagens e indomadas".

No final desta música, Riff Raff aparece armado junto com sua irmã, Magenta, anunciando uma rebelião e dizendo se preparar para voltar ao planeta de origem.

I'm Going Home
Sempre pressionado por Riff Raff e Magenta a voltar para o planeta de origem (o que motivou a rebelião), e pela demora disso acontecer, Frank resolve explicar que também sente saudades de "casa", e que está pronto para partir.
Em uma belíssima canção, Frank imagina uma plateia.
Porém Riff Raff revela que não era planejado que Frak voltara junto com eles, e Frank se da conta que a plateia esta vazia. Em seguida Riff Raff mata Columbia, Dr. Frank e por fim, Rocky e parte com a nave para o planeta de origem, sem antes deixar Brad, Janet e Dr. Everett Scott na terra.

Superheroes
Última música do musical interpretada por Brad, Janet e pelo criminologista, ela reflete um certo ar depressivo de despedida. Frank desceu a terra, revelou os desejos secretos de cada um, e depois, derrepente ele não existe mais.
Brad Majors revela esse vazio, se rastejando em meio a poeira, dizendo estar "sangrando" por dentro. Janet revela ter se transformado, "eu provei da carne e não pararei aqui". Enquanto o criminologista faz uma deprimente (porém verdadeira) análise do papel do ser humano no universo.
Esta música foi cortada em algumas versões norte-americanas do filme.
Após isso, há uma reprise da música Science Fiction/Double Feature e uma versão instrumental de Time Warp.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Dança dos Vampiros

A Dança dos Vampiros

Análise:
A Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killer) é um filme inglês de comédia dirigido pelo
controverso diretor Roman Polanski em 1967.
O filmes trata o gênero "vampiro" de forma cômica e satírica, é uma dosagem bem medida de comédia e trama policial.
A historia do filme é bem simples, Abrosius (Jack MacGowran) é um professor universitário obsecado pelo estudo de vampiros que decide ir até a Transilvânia, acompanhado do seu único e fiel disciplo, Alfred, interpretado pelo próprio Roman Polanski.
A esposa de Polankski, Sharon Tate, também tem um papel no filme, com a personagem Sarah, que aliás, esta lindissima no filme.

Sharon Tate

O filme trabalha muito bem a sensualidade das mulheres, mostrando corpos semi-nus e cenas bastante sugestivas.
O filme inteiro possui uma fotográfia muito bem cuidada, e apresenta cenários totalmente gélidos e belíssimos, ponto positivo para Wilfred Shingleton.
Sendo um filme esteticamente muito bonito, se tornou referência, e é uma influência clara nos filmes de Tim Burton, em especial "O Estranho Mundo de Jack" (The Nightmare Before Christmans).
A trilha sonora também é fantástica, Christopher Komeda consegue criar um clima bastante peculiar, misturando músicas com ritmo e uma boa atmosfera pesada.

O grande vilão do filme é o Conde Von Orlock (Ferdy Mayne), um rei despótico, que controla politicamente o vilarejo onde o professor é hospedado.
Um dos personagens mais interessantes do filme é o filho desse Conde, um vampiro gay, que sente atração pelo jovem Alfred.
Vampiros gays são bem incomuns no cinema, geralmente nos filmes eles são tratados como sedutores heteros, seja um cara com pinta de galã como Bela Lugosi (no clássico de 1931), ou alguma loira peituda qualquer dos filmes de vampiro mais modernos.

Não vou dar muito Spoilers sobre o filme, perderia a graça. O filme é cheio de surpresas, gags visuais bem montadas, alem de possuir um bom humor sutil e inocente, longe daquele ordinário dos típicos besteirois americanos como American Pie e coisas do gênero (nada contra).

Sharon Tate denovo

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sobre Café e Cigarros

Sobre Café e Cigarros

Dados do Filme:
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Gênero: Comédia/Drama
Origem: Estados Unidos
Duração: 95 minutos
Tipo: Longa

Site do filme:
http://www.coffeeandcigarettesmovie.com/

Resenha :

Sobre Café e Cigarros (Coffee and Cigarettes) é uma coletânea de 11 curta-metragens do diretor Jim Jarmusch (autor de obras como “Estranhos no Paraiso”, “Down by Law”, “Mystery Train” e “Dead Man”) onde mostra várias personas célebres discutindo diversos temas, quase sempre bebendo café e fumando cigarros.

O longa não tem uma trama, não existe pretensão alguma disto, e nem qualquer relação entre um curta e outro, as coisas simplismente acontecem, os personagens do filme são os próprios atores, representando eles mesmos em momentos de pretensa realidade.

Com quatro diretores de fografia, o filme trabalha totalmente em imagens preto e branco, uma possivel alusão ao branco do cigarro e ao preto do café, e com isso, acaba se tornando um charmoso exemplar do cinema independente americano, perfeito para aqueles que adoram jogar papo fora tomando um cafezinho.

Entre as celebridades do filme encontramos Roberto Benigni, Steve Buscemi, Iggy Pop, Tom Waits, Cate Blanchet, Jack White, Meg White e Bill Murray.

As filmagens do filme iniciaram em 1986, o primeiro curta, Strange to Meet You, do filme foi apresentado no Saturday Night Live. Com esse curta filmado, Jarmusch guardou a idéia durante 17 anos, filmando sempre quando tinha uma oportunidade. Assim, em 1989, Steve Buscemi encarou os gêmeos Cinqué e Joie Lee (filhos do diretor Spike Lee) num boteco para contar uma incrível história de Elvis Presley (episódio Twins”).

Três anos depois foi a vez de Iggy Pop e Tom Waits se encontrarem em um boteco (Somewhere in California), ao lado de uma jukebox, e ficarem "trocando idéias" impagáveis. "Cara, conheci um baterista sensacional. Assim que o vi tocando, pensei: preciso apresenta-lo para o Tom", diz Iggy. "Você está querendo dizer que o som da bateria dos meus discos é uma porcaria? É isso?", responde Tom Waits, sério e impagável.

O sarcasmo flutua no ar junto com a fumaça, que, alias, nem devia marcar presença nesse quadro, já que tanto Tom quanto Iggy haviam abandonado os cigarros por ordem médica. "Mas fumar um cigarro é um exemplo de força", provoca Tom Waits. "Só quem parou de fumar pode acender um cigarro e dizer: estou fumando um cigarro, mas eu já parei. E só para provar que sou forte vou fumar apenas um", conclui o pensamento Tom Waits. Incrédulo, Iggy Pop aceita um cigarro e os dois astros parecem ter orgasmos quando a nicotina invade o corpo. Hilário.

O final do esquete é muito engraçado.

É de 1992, também, o quarto episódio do filme, “Those Things'll Kill Ya”, em que Joe Rignano e Vinny Vella passam o tempo discutindo os malefícios do cigarro.

Logo segue o quinto episódio, Renée, com a lindíssima Renée French, onde ela simplismente aparece lendo uma revista, e é periodicamente incomodada por um garçom.

O sexto, “No Problem” com os atores Isaach de Bankolé e Alex Descas, onde ambos marcam um encontro, para simplismente se ver, fumar cigarros e beber café. Preocupado com o motivo do encontro, Isaach fica incessantemente perguntando ao outro, se havia algum problema, o porquê de tê-lo chamado. Alex simplismente diz que não tinha problema nenhum, que só queria vê-lo. A conversa se desenvolve ai.

O sétimo, “Jack Shows Meg His Tesla Coil”, com o duo White Stripes, onde eles (Jack & Meg White) mantem uma longa conversa sobre a bobina de Tesla.

O oitavo foi um dos meu preferidos, “Cousins”, com Cate Blanchet fazendo papel duplo e brincando com a fama, onde se apresenta como um encontro casual entre 2 primas. Uma aparenta estar bem sucedida, e a outra, com diversos problemas.

A conversa se desenvolve entre as duas de uma maneira incrívelmente natural, cheia daquelas formalidades que realmente temos, porem, mostrando nitidamente tons de sarcasmos, e pitadas de inveja da prima problematica em relação ao sucesso da outra, onde ela sempre faz questão de comparar a vida da prima com a dela. Quando se percebe essa incessante comparação, se percebe tambem uma construção psicológica bem sutil da prima problemática, externando ao expectador, uma certa baixa auto-estima da personagem, que se vê em muito contraste em relação a prima. A reação da prima bem sucedida, em relação a essas analogias, é visivelmente desconfortável.

O nono, “Cousins ?” , com Alfred Molina e Steve Coogan, foi o que eu mais gostei.

Alfred convida Steve para tomar café, que está representando ele mesmo, como ator, porém mais famoso no universo do filme. Molina ao longo da conversa, depois de falar muito sobre os projetos de Steve, vai explicando o real motivo do encontro, e mostra a Steve, uma detalhada pesquisa feita comparando suas árvore-genealogicas, onde se constata ali que ambos são primos.

Alfred se mostra bastante empolgado em dar a noticia, fica fazendo diversos planos, porem Steve aparenta não estar muito animado. Molina quer se aproximar de Coogan de qualquer maneira, mas o inglês (que dispensa o café e toma chá) não corresponde a amizade.

O auge da conversa foi quando, Molina, em meio a toda sua empolgação, pede o número particular de Steve, que se mostra bem seco em recusar, inventando uma desculpa de manter um hábito peculiar nunca passar seu numero particular para ninguem.

Durante essa explicação, ele comete vários deslizes, um deles é ter dito “não passo meu número para ninguem, nem para pessoas importantes”, insinuando que seu primo não seja uma pessoa importante, outro quando ele pergunta se o primo em questão era “gay”.

Isso tudo deixa Molina com um semblante bastante triste, e ele percebe a arrogância do primo e o pouco caso que ele fez da situação toda.

A situação muda quando Molina no meio da conversa recebe uma ligação de Spike Jonze, e Steve, como grande admirador do diretor, muda totalmente de ideia sobre o primo e tenta “empurrar” seu número particular, abrir a sua agenda e dar uma total atenção especial a ele. Porém, ja era tarde demais para isto, e Molina já não mostra nenhum interesse.

O décimo,”Delirium”, com os rappers RZA e GZA, do Wu-Tan Clan, e o ator Bill Murray, absurdamente impagável, representando um paranoico viciado em cafeina.

O último “Champagne”, com William Rice e Taylor Mead, é sobre dois velhos amigos, em horario de intervalam que brindam a vida transformando café em champagne num trecho bastante poético. Jarmusch apenas exercita sua maneira de ver o mundo em pequenos relatos cheios de cinismo, tédio, banalidade e silêncios.

Veja uma cena do filme :
A cena com Iggy Pop e Tom Waits do curta Somewhere in California